"A Francesinha à moda do Porto"
Mário Silva (IA)
... e uma estorietazinha

A pintura digital "A Francesinha à moda do Porto" de Mário Silva retrata um momento de puro prazer gastronómico.
Em primeiro plano, um prato de Francesinha, monumental e fumegante, é servido por um empregado.
A sanduíche, coberta por um molho alaranjado e queijo derretido, ocupa o centro da composição.
Ao fundo, um homem sorridente e de olhos brilhantes observa a chegada do prato, num ambiente de restaurante com iluminação quente.
A obra é executada com uma técnica que simula pinceladas densas e texturizadas, conferindo-lhe uma qualidade pictórica e apelativa.
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Estória Hilariante com Base na Pintura: "A Francesinha à moda do Porto"
Horácio era um homem de rotinas, e a sua rotina preferida era a de devorar uma francesinha semanalmente.
Não uma francesinha qualquer, mas “A francesinha”, a da Casa do Refúgio do Zé, em Valbom.
Era um templo para ele, um santuário de colesterol e felicidade.
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Naquele dia, Horácio sentia-se especialmente faminto.
Tinha feito dieta de “ar” durante duas horas de caminhada matinal (ou pelo menos era o que ele dizia à sua mulher, Rosinha).
Mal pisou o limiar do Refúgio do Zé, os seus olhos brilharam com a antecipação.
Sentou-se no seu lugar habitual, o que ficava mais perto da cozinha, para sentir os vapores divinos do molho.
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- A de sempre, Horácio? - perguntou o Zé, o empregado, já com a caneta a postos e um sorriso que conhecia o vício.
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- Zé, hoje, a de sempre, mas com um bocado extra de molho e, já agora, queijo, muito queijo.
E se puder vir com uma nuvem de fumo que pareça uma sauna para a sanduíche, melhor! - disse Horácio, com um entusiasmo quase infantil.
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O Zé riu.
Conhecia Horácio há anos e sabia que o entusiasmo dele era inversamente proporcional ao seu bom senso nutricional.
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Minutos depois (que para Horácio pareceram horas geológicas), Zé surgiu com o prato.
A pintura de Mário Silva capta precisamente esse instante apoteótico.
O molho escorria em cascatas douradas, o queijo burbulhava e o vapor, ah, o vapor!
Parecia que a francesinha tinha acabado de sair de um vulcão gastronómico.
Era uma montanha, uma fortaleza, um monumento de pão, linguiça, fiambre, bife e queijo, tudo a nadar num mar de molho, no prato de bordas azuis e brancas.
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Os olhos de Horácio arregalaram-se.
Ele inclinou-se para a frente, um sorriso de orelha a orelha rasgou-lhe o rosto.
Não era apenas comida; era uma obra de arte, uma epifania culinária.
Aquele brilho nos seus olhos era o brilho do puro êxtase.
Mal o Zé pousou o prato na mesa de madeira, Horácio já tinha os talheres na mão, quase tremendo de ansiedade.
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- Está perfeita, Zé! Perfeita! - exclamou Horácio, com a voz embargada pela emoção e pela salivação excessiva.
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Zé riu novamente.
- Vá com calma, Horácio, não se engasgue. Não queremos que a sua mulher me venha cá dar um sermão amanhã por excesso de molho.
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Horácio nem o ouviu.
Já tinha cortado o primeiro pedaço.
O queijo esticou-se num fio infinito, o molho quente queimou-lhe um pouco a língua, mas era uma dor doce, uma dor de prazer.
Mordeu.
Fechou os olhos.
Um suspiro profundo escapou-lhe.
Podia ouvir o anjo da guarda a chorar num canto, mas quem se importava?
Naquele momento, Horácio era o homem mais feliz de Valbom, o rei da francesinha, coroado pelo queijo derretido e abençoado pelo molho mágico.
Sabia que a Rosinha o esperava em casa com a sua salada de alface e tomate, mas ele já tinha a sua dose de felicidade para a semana.
E que felicidade!
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A vida, pensou Horácio, era feita destes pequenos (e muito grandes) momentos.
E prometeu a si mesmo que, mesmo que o médico o pusesse de castigo, nunca, jamais, abandonaria a sua rotina sagrada.
Afinal, a felicidade tinha um nome: Francesinha à moda do Porto. E um sabor inesquecível.
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Texto & Fotografia: ©MárioSilva
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