terça-feira, 26 de maio de 2026

“Mosteiro de Pitões das Júnias” - Alfredo Cabeleira




“Mosteiro de Pitões das Júnias” 

Alfredo Cabeleira



A pintura “Mosteiro de Pitões das Júnias”, do artista flaviense Alfredo Cabeleira, é uma representação serena e tecnicamente detalhada de um dos monumentos mais isolados e místicos de Portugal: o Mosteiro de Santa Maria das Júnias, situado em Montalegre.

Perspetiva e Enquadramento: O artista utiliza uma perspetiva aérea (em plongée), que permite ao espetador observar a planta e a estrutura do complexo monástico como se estivesse posicionado numa das encostas circundantes.

O Edifício Principal: A igreja românica é o elemento mais preservado da composição, destacando-se pela sua cobertura de telha cerâmica cor de laranja e pela sua sineira de três vãos que se ergue verticalmente contra o verde da paisagem.

As Ruínas: Adjacentes à igreja, observam-se as ruínas do antigo claustro e das dependências monásticas.

Alfredo Cabeleira capta com precisão as paredes de granito nu, sem tetos, onde as sombras projetadas no interior dos compartimentos revelam a profundidade e o estado de abandono dessas estruturas.

A Envolvente: O mosteiro está inserido num vale profundo.

Ao fundo, veem-se encostas suaves, árvores de folha caduca com tons outonais e uma pequena ponte de madeira que cruza o ribeiro próximo.

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O Domínio da Luz e da Sombra

A luz na obra parece provir do lado esquerdo, banhando as fachadas da igreja e criando contrastes marcados nas ruínas.

Esta escolha lumínea realça a textura da pedra e confere uma tridimensionalidade realista ao conjunto arquitetónico.

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Cromatismo e Textura

A paleta de cores é dominada por tons telúricos:

O cinzento e ocre das pedras de granito.

O verde vibrante da relva que cresce entre as ruínas, simbolizando a natureza a reclamar o que outrora foi humano.

O laranja da telha, que serve como o único ponto de cor quente e "viva", assinalando a parte do monumento que ainda mantém a sua integridade funcional.

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Estilo e Intenção

O estilo de Alfredo Cabeleira nesta obra inclina-se para um realismo descritivo com toques de naturalismo.

Não há figuras humanas na composição, o que acentua a sensação de isolamento, silêncio e paz espiritual que caracteriza o local real.

A obra funciona como um documento histórico-visual, mas também como uma meditação sobre a passagem do tempo e a resiliência do património transmontano.

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Alfredo Cabeleira, sendo natural de Chaves (Flaviense), demonstra nesta pintura uma sensibilidade especial para com a dureza e a beleza da região do Barroso.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Alfredo Cabeleira

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