"Igreja e fonte - Soutelinho da Raia"
Alfredo Cabeleira
Esta obra de Alfredo Cabeleira
retrata uma paisagem rural tipicamente transmontana, capturando a arquitetura
em pedra e a atmosfera luminosa da aldeia de Soutelinho da Raia.
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A Fonte (Primeiro Plano):
No plano inferior, em posição central e estendendo-se para a esquerda,
destaca-se uma fonte ou fontanário público construído em blocos maciços de
pedra rústica, encimado por uma estrutura em arco de volta perfeita que abriga
a água na penumbra.
À direita desta estrutura, um
pequeno sulco ou linha de água azulada corre ao longo do caminho calcado.
Uma pequena porção de vegetação
rasteira verde surge na base esquerda da fonte.
A Igreja (Segundo
Plano/Elevado): No plano superior central, ergue-se a igreja da aldeia,
edificada em granito e posicionada sobre uma robusta plataforma ou muro de
suporte também em pedra.
A fachada é coroada por um
campanário (torre sineira) de dupla arcada, onde se encontram suspensos dois
sinos.
O campanário possui um pequeno
nicho com uma figura escultórica por baixo dos sinos e é rematado por uma cruz
de pedra no topo.
Casario e Céu: À esquerda,
observa-se o cunhal de uma casa tradicional de pedra com telhado de telhas
cerâmicas avermelhadas.
O terço superior da pintura é
preenchido por um céu azul-claro salpicado de nuvens brancas e fluidas,
sugerindo um dia soalheiro.
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Temática Etnográfica e Identitária
A pintura de Alfredo Cabeleira
funciona como um registo patrimonial e afetivo do interior de Portugal.
Ao focar-se na igreja e na fonte,
o artista evoca os dois principais polos da vida comunitária tradicional
transmontana: a fonte, que representa o sustento diário, o labor e o ponto de
encontro da população; e a igreja, que simboliza a esfera espiritual, a fé e a
coesão social da aldeia.
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Composição e Dinâmica Espacial
A composição é estruturada
através de linhas diagonais ascendentes definidas pelo caminho e pelos muros de
pedra, que guiam de forma eficaz o olhar do observador do primeiro plano (a
fonte) até ao ponto mais alto da tela (a igreja).
Esta organização vertical e em
socalcos espelha a própria topografia das aldeias de montanha da região de
Chaves, conferindo monumentalidade ao edifício religioso sem retirar o
protagonismo à fonte em primeiro plano.
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Cor, Luz e Técnica
O pintor utiliza uma paleta
cromática naturalista, onde predominam os tons quentes, ocres e acinzentados da
pedra granítica, conferindo uma sensação de solidez e perenidade às
construções.
Este bloco telúrico e pesado de
pedra é harmoniosamente equilibrado pela leveza e vivacidade do céu azul e
pelas pinceladas texturizadas das nuvens.
A luz solar incide diretamente
sobre as superfícies viradas a leste/sul, criando contrastes de sombra marcados
(como no interior do arco da fonte e nas reentrâncias dos muros), o que acentua
a volumetria e o realismo da cena.
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Texto: ©MárioSilva
Pintura: Alfredo Cabeleira
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