"Falésias da Costa Vicentina"
... e uma estória
Mário Silva (IA)

A pintura digital "Falésias da Costa Vicentina" de Mário Silva retrata uma paisagem costeira dramática, caracterizada por imponentes falésias douradas que se erguem do oceano azul-turquesa.
A composição é dominada pela verticalidade das formações rochosas e a horizontalidade do mar e do céu.
Um edifício claro, que parece ser um farol ou uma estrutura costeira, destaca-se no lado esquerdo.
A obra é executada com pinceladas visíveis e texturizadas, conferindo-lhe um aspeto pictórico e realçando a intensidade das cores e a luz solar.
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Estória "Falésias da Costa Vicentina"
O vento salgado da Costa Vicentina era uma canção antiga para o Velho Tomás.
Cantava a força do mar, a paciência da rocha e as histórias de todos os que ali tinham vivido e amado.
Naquele dia, a luz do sol de julho beijava as falésias, pintando-as com os mesmos tons de ocre e dourado que Mário Silva tão bem captara na sua pintura.
O azul do oceano, ora profundo, ora transparente nas águas rasas, parecia chamar por ele.
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Tomás, com os seus oitenta e muitos anos e as mãos calejadas pela vida no mar, arrastou-se até ao parapeito do pequeno farol que fora a sua casa durante sessenta anos.
A pintura mostrava-o ali, esse farol, com as suas paredes brancas quase a fundir-se com a luz do dia, um sentinela silencioso sobre o abismo.
Não era um farol imponente, mas um farol de gente, que Tomás tinha visto construir com os próprios olhos.
Aquele era o Farol da Ponta da Atalaia, o seu farol.
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Contemplou o mar, que naquela hora batia com uma fúria contida contra a base das falésias.
As ondas, representadas na tela com pinceladas vigorosas, subiam e desciam, revelando as grutas e recortes que o tempo e a água haviam esculpido.
Cada reentrância, cada curva da rocha, era uma página do livro da sua vida.
Ali, ele tinha pescado com o pai, quando era ainda um moço.
Ali, tinha visto a sua Josefa, com o cabelo solto pelo vento, a acenar-lhe do cimo do penhasco.
E ali, com o tempo, tinha aprendido que o mar, por mais zangado que estivesse, sempre encontrava o seu caminho de volta à calma.
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Lembrou-se de uma tempestade, há muitos anos, em que o farol falhara e ele tivera de acender o lampião a óleo, desafiando a fúria dos elementos para guiar os barcos.
Sentiu o cheiro a maresia e a terra seca, uma fragrância que Mário Silva soubera infundir na sua obra, através dos tons quentes e das texturas visíveis.
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As gaivotas planavam, despreocupadas, sobre o abismo, e Tomás sentiu um ligeiro ciúme da sua liberdade.
Mas a sua liberdade era outra: a de pertencer àquele lugar, de ser parte daquela paisagem.
Ele era a falésia, esculpida pelo tempo.
Era o mar, com as suas marés cheias e vazias.
Era o farol, uma luz guia para outros.
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O sol começou a descer, e as cores da pintura de Mário Silva intensificaram-se.
O amarelo das falésias tornou-se mais dourado, o azul do mar mais profundo.
Tomás sabia que em breve seria a hora de acender a grande lâmpada do farol, um ritual que ele amava.
Era o seu último legado para o mar.
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Enquanto o primeiro raio de luz artificial atravessava a escuridão crescente, Tomás sussurrou, "Até amanhã, velha amiga."
O mar, em resposta, rugiu.
E Tomás soube que, tal como as falésias, ele ficaria ali, para sempre, na memória daquelas ondas e na alma daquela costa.
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Texto & Pintura digital: ©MárioSilva
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