segunda-feira, 21 de julho de 2025

"O gato sedento num dia de calor extremo" - Mário Silva (IA) … e uma estorinha

"O gato sedento num dia de calor extremo" - Mário Silva (IA)


… e uma estorinha


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A pintura digital "O gato sedento num dia de calor extremo" de Mário Silva retrata um gato com pelagem em tons de preto e castanho-avermelhado a beber água de um bebedouro antigo, em formato de fonte, com uma torneira de onde jorra um fio de água.


O ambiente é árido e com texturas de impasto, sugerindo um local desgastado e um dia quente.


A paleta de cores é dominada por tons terrosos, ocres e verdes-azulados escuros, com a luz a realçar a água e a expressão do animal.


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Estória: "O Gato Sedento num Dia de Calor Extremo"


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O alcatrão fervia sob o sol impiedoso de julho.


Era o tipo de calor que fazia o ar vibrar e as sombras encolherem-se até quase desaparecerem.


No beco da Rua dos Felinos, um lugar esquecido entre prédios antigos e cheios de pátina, o Silvestre arrastava-se.


A sua pelagem de tartaruga, outrora brilhante, estava agora empoeirada e opaca, e os seus olhos âmbar, normalmente alertas, estavam semicerrados de cansaço.


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O Silvestre era um gato sem dono, um nómada do asfalto, mas aquele dia estava a provar-se insuportável.


As poucas poças de chuva tinham secado há dias, e a boca de Silvestre estava seca como lixa.


Passou por caixotes de lixo, vasos partidos e restos de uma vida que outros tinham abandonado, tudo retratado na pintura de Mário Silva com as suas pinceladas grossas e carregadas, que quase se sentiam na pele.


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Então, no fundo do beco, ele viu-o: um vulto esverdeado e enferrujado, familiar, quase esquecido.


Era a velha fonte do chafariz, que o povo já quase não usava.


Um fio de água, fino como um fio de seda, escorria da torneira de bronze, enchendo uma pequena bacia de pedra, onde a água cintilava, convidativa.


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Silvestre, com as últimas forças, arrastou-se até lá.


A fonte, com o seu verde-cobre oxidado e as ranhuras do tempo, parecia uma relíquia num mundo empoeirado.


Aproximou-se devagar, com a desconfiança inata dos gatos, mas a sede era mais forte.


Com a cabeça baixa, lambeu a água, sentindo o frescor líquido a descer pela sua garganta.


Cada gole era uma bênção, um alívio imediato para o tormento do calor.


Aquele fiozinho de água, quase insignificante para os humanos, era vida.


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Enquanto bebia, Silvestre notou a outra gata, a Carminho, a espreitar por detrás de um dos caixotes.


Tinha a mesma pelagem em tons de fogo, a mesma sede nos olhos.


Ele sabia que o chafariz era um segredo bem guardado entre eles, os gatos de rua.


Um oásis na vasta e indiferente cidade.


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Depois de saciar a sede, Silvestre ergueu a cabeça.


Sentiu um fraco restauro de energia.


A arte de Mário Silva captara não só o ato de beber, mas a ânsia, a vulnerabilidade e a resiliência daquele pequeno ser.


A textura rugosa do fundo, quase granulada, lembrava-lhe a secura do chão sob as suas patas, e a luz focada na água era um milagre.


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Com um último olhar para a fonte, uma gratidão silenciosa no seu coração de gato, Silvestre afastou-se.


O sol ainda castigava, mas ele tinha sobrevivido.


E, tal como o fio de água que continuava a escorrer, ele também seguiria em frente, um passo de cada vez, na esperança de um dia mais ameno ou de outro pequeno milagre num outro beco esquecido.


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Texto & Fotografia: ©MárioSilva


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