"Lareira típica, rural transmontana
(depois de restaurada/embelezada)"
Mário Silva (IA)

A pintura digital de Mário Silva, sob este título, retrata uma lareira de uma opulência extrema.
O estilo da obra é hiper-realista, capturando a riqueza dos materiais.
O ponto focal é uma lareira monumental em mármore branco e cinzento/preto, contrastando com a escuridão da boca de fogo, onde arde lenha.
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Acima da lareira, a decoração é dominada por uma escultura complexa e exuberante em metal dourado, que parece representar figuras mitológicas ou alegóricas, ladeada por dois leões dourados deitados.
A lareira é emoldurada por cortinas de veludo carmesim, pesadas e drapeadas, com franjas e galões dourados que caem do teto ornamentado.
O chão está coberto por um tapete persa de cores escuras e padrões complexos.
O fundo da sala apresenta murais e mais entalhes dourados, sugerindo uma galeria ou salão de honra de um palácio da alta nobreza.
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A Lareira Transmontana (Versão Deluxe): Do Borralho ao Barroco Dourado
Mário Silva, com a sua mais recente obra de arte, oferece-nos uma visão audaciosa e, sejamos honestos, totalmente hilariante, do que acontece quando o Tio Zé de Trás-os-Montes ganha o Euromilhões e decide que a sua lareira tem de ter "um bocadinho mais de brilho".
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O quadro, que ostenta o título "Lareira típica, rural transmontana (depois de restaurada/embelezada)", é um estudo de caso sobre o choque cultural e a restauração com excesso de zelo.
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O Sonho de Consumo de um Trasmontano
Todos conhecemos a lareira transmontana original: pedra rude, borralho a cheirar a fumo e uns “designers” de interiores que são, no fundo, a nossa avó com uma vassoura.
É funcional, aquece e, o mais importante, assa um bom chouriço.
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Mas esta lareira... esta é a lareira que frequentou as melhores universidades na Suíça.
É uma lareira que usa mármore de Carrara (ou, o que é mais provável, de uma pedreira de Trás-os-Montes que agora cobra preços de “haute couture”).
Onde está o ferro forjado rústico? Foi trocado por leões dourados!
Sim, leões. Porque, aparentemente, os esquilos e as lebres da serra não são suficientemente majestosos para este novo habitat.
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O Drama das Cortinas (e a Poça do Bacalhau)
O que mais perturba a nossa sensibilidade rural são as cortinas de veludo vermelho-sangue.
Na lareira original, a cortina é o fumo a sair pela porta da cozinha.
Nesta versão palaciana, as cortinas são tão ricas que provavelmente custaram mais do que a aldeia inteira.
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A grande questão que se impõe:
Como é que alguém vai fumar um bom presunto por cima disto?
E se o Zé entorna a poça do bacalhau no tapete persa?
A tragédia é iminente.
Esta lareira está demasiado ocupada a parecer uma ópera italiana para se dar ao trabalho de aquecer o ambiente.
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A Lição da Restauração
Esta obra de Mário Silva ensina-nos uma lição crucial sobre o restauro: há um limite entre a autenticidade e o “bling”.
A lareira transmontana original era humilde, mas real.
Esta, com a sua cabeça de medusa dourada por cima (que se calhar era suposto ser o São Gonçalo, mas a restauração saiu cara), é a prova de que o dinheiro compra o mármore, mas a alma rústica não se vende.
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No fundo, esta é a lareira que se tira nos álbuns de família só quando os turistas de Lisboa vêm visitar.
Mas na vida real, sabemos que o Zé ainda tem a sua lareira de borralho verdadeira na adega, onde é que realmente assa as sardinhas e onde as cortinas são, felizmente, feitas de vapor e cheiro a vinho tinto.
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A lareira de luxo é para a fotografia; a de pedra e fumo é para a vida.
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Texto & Pintura digital: ©MárioSilva
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