“Coimbra” (2020)
Cunha Rocha
Esta obra de Cunha Rocha, datada de 2010, oferece uma visão
poética e quase nostálgica da cidade de Coimbra, capturada a partir da margem
oposta do rio Mondego.
O artista utiliza uma técnica fluida que equilibra o detalhe
arquitetónico com a espontaneidade da aguarela ou do guache diluído.
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A composição é organizada em planos distintos que guiam o
olhar da margem imediata até ao topo da colina histórica:
O Primeiro Plano: No lado esquerdo, destacam-se dois
troncos de árvores escuras e despidas de folhagem, que servem de moldura
vertical à cena.
Entre elas, estende-se uma corda com roupa branca a secar,
um elemento que humaniza a paisagem e remete para o quotidiano simples das
margens do rio.
O Plano Médio: O rio Mondego atravessa a parte
inferior da imagem, representado com pinceladas horizontais rápidas em tons de
cinza, azul e reflexos acastanhados da terra.
O Plano de Fundo: A cidade de Coimbra ergue-se
majestosa sobre a colina.
É possível identificar o casario denso com os seus típicos
telhados alaranjados e, no ponto mais alto, a silhueta inconfundível da Torre
da Universidade.
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Técnica e Simbólica
Cunha Rocha não procura o realismo fotográfico, mas sim a
atmosfera do lugar:
Contraste de Escala: Existe um contraste fascinante
entre a escala monumental da cidade universitária ao fundo e a escala íntima e
doméstica da roupa a secar no primeiro plano.
Isso sugere uma coexistência harmoniosa entre a grande
História (a Universidade) e a vida comum do povo.
Gestualidade: A técnica é marcada por manchas de cor
e linhas rápidas de pincel.
O céu e a água são tratados de forma quase abstrata,
permitindo que a luz branca do papel brilhe através das cores, criando uma
sensação de luminosidade natural.
Paleta de Cores: A predominância de tons terrosos
(castanhos, ocres e sépia) confere à obra um tom intemporal, quase como uma
fotografia antiga que ganhou vida através da cor.
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Em conclusão, "Coimbra" de Cunha Rocha é uma
celebração da identidade portuguesa, capturando a essência de uma cidade que é
simultaneamente um centro de conhecimento e um lugar de vida simples.
A presença das árvores em primeiro plano funciona como uma
janela, convidando o observador a espreitar a beleza da "cidade dos
estudantes" de uma perspetiva tranquila e contemplativa.
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Texto: ©MárioSilva
Pintura: Cunha Rocha
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