"A pintura -
o abraço entre a visão e a mente"
Mário Silva
A pintura é, talvez, a forma mais antiga de "parar o
tempo".
No entanto, reduzir uma tela a um conjunto de pigmentos
aplicados sobre uma superfície seria o mesmo que reduzir uma sinfonia a
vibrações no ar.
Pintar é o ato de traduzir o invisível através do visível.
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O Olhar: Mais do que uma Lente Biológica
A visão é o nosso primeiro contacto com a obra.
É o processo puramente físico: a luz que reflete nas cores,
o contraste das sombras e a geometria das formas que atinge a nossa retina.
Contudo, na arte, o olhar nunca é neutro.
A Captura da Luz: O olho deteta o brilho, mas é a
mente que decide se aquela luz é o amanhecer de uma esperança ou o crepúsculo
de uma despedida.
A Perspetiva: Enquanto a visão processa a
profundidade, a mente interpreta a hierarquia e o foco do que realmente importa
na composição.
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A Mente: O Ateliê Oculto
Se a visão é a porta de entrada, a mente é o ateliê onde a
verdadeira obra acontece.
É aqui que os dados brutos da visão são processados através
do filtro da memória, da cultura e da emoção.
"O pintor pinta com o olhar, mas executa com a
mente."
Quando observamos uma obra abstrata, por exemplo, a visão
pode ver apenas manchas.
É a mente que, num esforço criativo de "abraçar" o
caos, procura padrões, evoca sentimentos e atribui um nome ao indizível.
A mente não quer apenas ver; ela quer compreender.
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O Abraço: Onde a Alquimia Acontece
O "abraço" referido no título é o momento da perceção.
É a intersecção onde o nervo ótico e o pensamento se fundem.
Este fenómeno ocorre em dois sentidos:
No Artista: O pintor vê o mundo (visão), mas
transforma-o através da sua intenção (mente).
O pincel é apenas a ponte.
No Espetador: Nós vemos as pinceladas (visão), mas
sentimos a angústia ou o júbilo do autor (mente).
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Conclusão
Pintar é, em última análise, a prova de que não vivemos
apenas num mundo físico.
Se a visão fosse o nosso único guia, a fotografia documental
seria o auge da expressão humana.
Mas porque temos mente — esse espaço vasto de sonhos e
abstrações — precisamos da pintura para materializar o que os olhos sozinhos
não conseguem explicar.
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A pintura é o abraço que nos lembra que, para ver
verdadeiramente, é preciso fechar um pouco os olhos e deixar a mente completar
o quadro.
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Texto & Vídeo: ©MárioSilva
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