quarta-feira, 20 de maio de 2026

“A Ponte da Memória sobre o Rio Tâmega” – Mário Lino

 


“A Ponte da Memória sobre o Rio Tâmega”

Mário Lino




Nota prévia: o título é sugerido pelo autor do texto, pois desconheço o real título atribuído pelo artista.

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Esta obra do pintor flaviense Mário Lino, aqui designada sugestivamente como "A Ponte da Memória sobre o Rio Tâmega", é uma celebração vibrante e onírica da identidade visual de Chaves.

Mário Lino afasta-se do realismo convencional para nos oferecer uma paisagem carregada de simbolismo e ritmo.

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A composição organiza-se através de uma perspetiva dinâmica que guia o olhar desde a robustez do primeiro plano até à elegância da estrutura ao fundo:

As Árvores Antropomórficas: Três grandes árvores dominam a cena.

Os seus troncos são largos e orgânicos, enquanto as copas são representadas por formas circulares e sobrepostas, assemelhando-se a nuvens coloridas ou tufos de lã, em tons de laranja, ocre e verde.

A Ponte de Trajano: Ao fundo, a icónica ponte romana de Chaves é estilizada numa curva suave que atravessa a tela.

Os arcos da ponte, multiplicados pelo reflexo na água, criam formas ovais ou "olhos" luminosos que alternam entre o azul profundo e o amarelo radiante.

O Chão e o Rio: O terreno não é estático; é composto por espirais e formas sinuosas que sugerem o movimento das águas do Tâmega e a energia da terra.

À esquerda, um padrão em rede (losangos) introduz um elemento geométrico que contrasta com as formas orgânicas dominantes.

O Céu: O plano superior é preenchido por nuvens fluidas em tons de lavanda, rosa e branco, conferindo à obra uma atmosfera de "hora mágica" ou de sonho.

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Estilo e Técnica

Mário Lino utiliza uma linguagem que funde o Expressionismo com o Modernismo.

A técnica caracteriza-se por contornos negros bem definidos que encerram áreas de cor vibrante, trabalhadas com uma textura de “hachuras” ou riscos (semelhante ao pastel ou ao lápis de cor), o que confere à pintura uma vibração ótica constante.

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Cromatismo e Luz

A paleta de cores é exuberante.

O contraste entre os tons quentes das árvores (laranjas e amarelos) e os tons frios da água e do céu (azuis e violetas) cria um equilíbrio visual harmonioso.

A luz parece emanar de dentro dos próprios objetos, especialmente dos arcos da ponte, que brilham como se fossem portais.

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Simbolismo da "Memória"

O título sugerido, "Ponte da Memória", é extremamente apropriado.

A ponte não é apenas uma infraestrutura de pedra; é um elo de ligação emocional.

A forma como as árvores parecem "abraçar" a paisagem e a deformação poética da realidade sugerem que o pintor não está a retratar o que vê, mas sim o que sente ao recordar a sua terra natal.

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Movimento e Ritmo

Há uma musicalidade intrínseca nesta obra.

As linhas curvas do rio e as esferas das copas das árvores criam um ritmo circular que envolve a ponte, transformando o Tâmega num fluxo de energia vital que alimenta a história da cidade.

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Esta pintura é, em suma, um testemunho do amor de Mário Lino pelas suas raízes, transformando a geografia flaviense numa paisagem mística e intemporal.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Mário Lino

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