“A Ponte da Memória sobre o Rio Tâmega”
Mário Lino
Nota prévia:
o título é sugerido pelo autor do texto, pois desconheço o real título
atribuído pelo artista.
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Esta obra do pintor flaviense
Mário Lino, aqui designada sugestivamente como "A Ponte da Memória sobre o
Rio Tâmega", é uma celebração vibrante e onírica da identidade visual de
Chaves.
Mário Lino afasta-se do realismo
convencional para nos oferecer uma paisagem carregada de simbolismo e ritmo.
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A composição organiza-se através
de uma perspetiva dinâmica que guia o olhar desde a robustez do primeiro plano
até à elegância da estrutura ao fundo:
As Árvores Antropomórficas:
Três grandes árvores dominam a cena.
Os seus troncos são largos e
orgânicos, enquanto as copas são representadas por formas circulares e
sobrepostas, assemelhando-se a nuvens coloridas ou tufos de lã, em tons de
laranja, ocre e verde.
A Ponte de Trajano: Ao
fundo, a icónica ponte romana de Chaves é estilizada numa curva suave que
atravessa a tela.
Os arcos da ponte, multiplicados
pelo reflexo na água, criam formas ovais ou "olhos" luminosos que
alternam entre o azul profundo e o amarelo radiante.
O Chão e o Rio: O terreno
não é estático; é composto por espirais e formas sinuosas que sugerem o
movimento das águas do Tâmega e a energia da terra.
À esquerda, um padrão em rede
(losangos) introduz um elemento geométrico que contrasta com as formas
orgânicas dominantes.
O Céu: O plano superior é
preenchido por nuvens fluidas em tons de lavanda, rosa e branco, conferindo à
obra uma atmosfera de "hora mágica" ou de sonho.
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Estilo e Técnica
Mário Lino utiliza uma linguagem
que funde o Expressionismo com o Modernismo.
A técnica caracteriza-se por
contornos negros bem definidos que encerram áreas de cor vibrante, trabalhadas
com uma textura de “hachuras” ou riscos (semelhante ao pastel ou ao lápis de
cor), o que confere à pintura uma vibração ótica constante.
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Cromatismo e Luz
A paleta de cores é exuberante.
O contraste entre os tons quentes
das árvores (laranjas e amarelos) e os tons frios da água e do céu (azuis e
violetas) cria um equilíbrio visual harmonioso.
A luz parece emanar de dentro dos
próprios objetos, especialmente dos arcos da ponte, que brilham como se fossem
portais.
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Simbolismo da
"Memória"
O título sugerido, "Ponte da
Memória", é extremamente apropriado.
A ponte não é apenas uma
infraestrutura de pedra; é um elo de ligação emocional.
A forma como as árvores parecem
"abraçar" a paisagem e a deformação poética da realidade sugerem que
o pintor não está a retratar o que vê, mas sim o que sente ao recordar a sua
terra natal.
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Movimento e Ritmo
Há uma musicalidade intrínseca
nesta obra.
As linhas curvas do rio e as
esferas das copas das árvores criam um ritmo circular que envolve a ponte,
transformando o Tâmega num fluxo de energia vital que alimenta a história da
cidade.
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Esta pintura é, em suma, um
testemunho do amor de Mário Lino pelas suas raízes, transformando a geografia
flaviense numa paisagem mística e intemporal.
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Texto: ©MárioSilva
Pintura: Mário
Lino
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