"(Cores da Terra) Raízes do Sustento"
Alfredo Cabeleira
Esta obra de Alfredo Cabeleira,
prestigiado pintor natural de Chaves (flaviense), é uma celebração vibrante da
vida rural e da ligação profunda do Homem com o solo que o alimenta.
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A pintura, executada num estilo
que combina o realismo com pinceladas expressivas de influência impressionista,
retrata um camponês em plena faina agrícola.
A Figura Central: Um
homem, protegido por um chapéu de abas, curva-se sobre a terra, manuseando com
vigor uma enxada.
A sua postura reflete o esforço
físico e a concentração exigida pela tarefa.
A Colheita: No solo
revolvido, em primeiro plano, observam-se as batatas recém-colhidas,
acompanhadas por um cesto de vime e um feixe de palha ou trigo, simbolizando a
abundância do fruto do trabalho.
O Cenário: À esquerda,
estende-se um vasto campo de trigo dourado que brilha sob a luz do sol.
Ao fundo, a paisagem desdobra-se
em colinas suaves, onde se avistam casas rurais e um caminho sinuoso que conduz
o olhar até ao horizonte.
Paleta de Cores: Dominada
por tons quentes de ocre, dourado e castanho (as "Cores da Terra"),
contrastando com o azul suave do céu e das montanhas distantes.
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O Ciclo Sagrado da
Sobrevivência
O título da obra, "Raízes do
Sustento", carrega um duplo significado que Alfredo Cabeleira explora com
mestria.
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O Sustento Físico e Espiritual
Literalmente, as
"raízes" são os tubérculos que o camponês extrai da terra.
Metaforicamente, o título sugere
que o verdadeiro sustento de uma comunidade reside nas suas raízes culturais e
na sua capacidade de trabalhar a terra com dignidade.
O artista não pinta apenas um
trabalho; pinta um ritual de sobrevivência que se repete há gerações em
Trás-os-Montes.
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A Estética do Esforço
A composição é equilibrada, mas
dinâmica.
A diagonal formada pelo cabo da
enxada e pelo corpo inclinado do homem cria uma sensação de movimento contínuo.
Apesar do tema ser o trabalho
árduo, a obra transmite uma profunda serenidade.
A luz de final de tarde (ou
início de manhã) banha a cena com uma aura de nobreza e respeito pelo lavrador.
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A Identidade Flaviense
Como pintor de Chaves, Cabeleira
utiliza esta série para imortalizar a identidade da sua região.
A presença do casario ao fundo e
o cuidado na representação da luz transmontana reforçam o sentimento de
pertença.
É uma pintura que se pode
"sentir" e "cheirar", evocando o aroma da terra fresca e o
calor do sol nos campos de cereal.
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"Raízes do Sustento" é
um hino visual à perseverança humana e um lembrete de que a beleza mais
autêntica reside na simplicidade do gesto que garante a vida.
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Texto: ©MárioSilva
Pintura: Alfredo Cabeleira
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