“Mosteiro de Pitões das Júnias”
Alfredo Cabeleira
A pintura “Mosteiro de Pitões das
Júnias”, do artista flaviense Alfredo Cabeleira, é uma representação serena e
tecnicamente detalhada de um dos monumentos mais isolados e místicos de
Portugal: o Mosteiro de Santa Maria das Júnias, situado em Montalegre.
Perspetiva e Enquadramento:
O artista utiliza uma perspetiva aérea (em plongée), que permite ao espetador
observar a planta e a estrutura do complexo monástico como se estivesse
posicionado numa das encostas circundantes.
O Edifício Principal: A
igreja românica é o elemento mais preservado da composição, destacando-se pela
sua cobertura de telha cerâmica cor de laranja e pela sua sineira de três vãos
que se ergue verticalmente contra o verde da paisagem.
As Ruínas: Adjacentes à
igreja, observam-se as ruínas do antigo claustro e das dependências monásticas.
Alfredo Cabeleira capta com
precisão as paredes de granito nu, sem tetos, onde as sombras projetadas no
interior dos compartimentos revelam a profundidade e o estado de abandono
dessas estruturas.
A Envolvente: O mosteiro
está inserido num vale profundo.
Ao fundo, veem-se encostas
suaves, árvores de folha caduca com tons outonais e uma pequena ponte de
madeira que cruza o ribeiro próximo.
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O Domínio da Luz e da Sombra
A luz na obra parece provir do
lado esquerdo, banhando as fachadas da igreja e criando contrastes marcados nas
ruínas.
Esta escolha lumínea realça a
textura da pedra e confere uma tridimensionalidade realista ao conjunto
arquitetónico.
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Cromatismo e Textura
A paleta de cores é dominada por
tons telúricos:
O cinzento e ocre das pedras de
granito.
O verde vibrante da relva que
cresce entre as ruínas, simbolizando a natureza a reclamar o que outrora foi
humano.
O laranja da telha, que serve
como o único ponto de cor quente e "viva", assinalando a parte do
monumento que ainda mantém a sua integridade funcional.
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Estilo e Intenção
O estilo de Alfredo Cabeleira
nesta obra inclina-se para um realismo descritivo com toques de naturalismo.
Não há figuras humanas na
composição, o que acentua a sensação de isolamento, silêncio e paz espiritual
que caracteriza o local real.
A obra funciona como um documento
histórico-visual, mas também como uma meditação sobre a passagem do tempo e a
resiliência do património transmontano.
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Alfredo Cabeleira, sendo natural
de Chaves (Flaviense), demonstra nesta pintura uma sensibilidade especial para
com a dureza e a beleza da região do Barroso.
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Texto: ©MárioSilva
Pintura: Alfredo Cabeleira
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