quinta-feira, 25 de junho de 2026

"A fonte na aldeia" - Alfredo Cabeleira

 


"A fonte na aldeia"


Alfredo Cabeleira



A obra "A fonte na aldeia", do pintor flaviense Alfredo Cabeleira, é uma janela serena para a memória e para o quotidiano rural transmontano.

Através de uma abordagem figurativa e de uma atmosfera tranquila, o artista imortaliza o património arquitetónico e comunitário típico das antigas povoações de Trás-os-Montes.

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Descrição Visual

A Fonte de Pedra (Lado Direito): O elemento que dá título à obra domina o lado direito da composição.

Trata-se de um chafariz construído em cantaria (presumivelmente granito, típico da região), com um pilar central robusto encimado por um remate decorativo.

De duas bicas metálicas escorregam fios de água contínuos que caem num tanque retangular.

A cantaria exibe os recortes regulares dos blocos de pedra, conferindo solidez à estrutura.

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O Abrigo Rústico (Lado Esquerdo): Em contraponto à pedra da fonte, no lado esquerdo ergue-se uma estrutura rústica de madeira com um telhado simples de duas águas.

Esta construção, suportada por troncos grossos, assemelha-se a um tradicional "tronco de ferrar" — um equipamento agrícola ancestral usado para imobilizar o gado (como vacas e bois) para lhes colocar as ferraduras.

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O Centro e a Natureza: O centro da pintura é marcado por um muro de pedra rústica que delimita o espaço.

Sobre o muro, debruça-se uma massa vegetal densa e verdejante, que contrasta com os ramos despidos de uma árvore mais ao fundo.

Ao nível do solo, junto a esta vegetação, encontra-se uma pia ou bebedouro de pedra escura, destinado aos animais.

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O Caminho e o Horizonte: O primeiro plano é preenchido por um largo de terra batida, com pedras soltas e um pequeno lancil lajeado no canto inferior direito.

No fundo da composição, vislumbram-se montanhas de contornos suaves, esbatidas sob um céu de tons azuis e cinzentos, coberto por nuvens difusas que sugerem um dia ameno.

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Análise Artística e Temática

Composição e Equilíbrio Visual: Alfredo Cabeleira constrói a cena com um notável equilíbrio.

A pesada fonte de pedra à direita e a estrutura de madeira à esquerda funcionam como as duas âncoras da composição.

O largo de terra batida no centro convida o olhar do observador a entrar no quadro, criando uma sensação de profundidade que culmina nas montanhas ao longe.

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A Paleta Cromática: A obra é dominada por cores naturalistas e pacíficas.

Os tons terrosos do chão fundem-se perfeitamente com os cinzentos frios do granito e o verde vibrante da folhagem.

Esta escolha cromática, aliada a uma luz difusa (sem sombras duras ou dramáticas), confere à pintura uma aura de nostalgia e quietude.

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Simbolismo e Homenagem: Muito mais do que um simples registo paisagístico, esta tela é uma homenagem à identidade rural flaviense.

A fonte sempre foi o "coração" das aldeias portuguesas — o local onde se ia buscar a água essencial à vida, onde as mulheres conversavam e onde os animais matavam a sede após a jorna de trabalho (evidenciado pela presença do bebedouro e do tronco de ferrar).

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"A fonte na aldeia" captura aquele silêncio reconfortante do campo, preservando na tela uma vivência comunitária e um respeito pela terra que, com o passar do tempo, se vão tornando cada vez mais numa memória nostálgica.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Alfredo Cabeleira

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