domingo, 7 de junho de 2026

"Igreja e fonte - Soutelinho da Raia" - Alfredo Cabeleira

 



"Igreja e fonte - Soutelinho da Raia"

Alfredo Cabeleira



Esta obra de Alfredo Cabeleira retrata uma paisagem rural tipicamente transmontana, capturando a arquitetura em pedra e a atmosfera luminosa da aldeia de Soutelinho da Raia.

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A Fonte (Primeiro Plano): No plano inferior, em posição central e estendendo-se para a esquerda, destaca-se uma fonte ou fontanário público construído em blocos maciços de pedra rústica, encimado por uma estrutura em arco de volta perfeita que abriga a água na penumbra.

À direita desta estrutura, um pequeno sulco ou linha de água azulada corre ao longo do caminho calcado.

Uma pequena porção de vegetação rasteira verde surge na base esquerda da fonte.

A Igreja (Segundo Plano/Elevado): No plano superior central, ergue-se a igreja da aldeia, edificada em granito e posicionada sobre uma robusta plataforma ou muro de suporte também em pedra.

A fachada é coroada por um campanário (torre sineira) de dupla arcada, onde se encontram suspensos dois sinos.

O campanário possui um pequeno nicho com uma figura escultórica por baixo dos sinos e é rematado por uma cruz de pedra no topo.

Casario e Céu: À esquerda, observa-se o cunhal de uma casa tradicional de pedra com telhado de telhas cerâmicas avermelhadas.

O terço superior da pintura é preenchido por um céu azul-claro salpicado de nuvens brancas e fluidas, sugerindo um dia soalheiro.

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Temática Etnográfica e Identitária

A pintura de Alfredo Cabeleira funciona como um registo patrimonial e afetivo do interior de Portugal.

Ao focar-se na igreja e na fonte, o artista evoca os dois principais polos da vida comunitária tradicional transmontana: a fonte, que representa o sustento diário, o labor e o ponto de encontro da população; e a igreja, que simboliza a esfera espiritual, a fé e a coesão social da aldeia.

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Composição e Dinâmica Espacial

A composição é estruturada através de linhas diagonais ascendentes definidas pelo caminho e pelos muros de pedra, que guiam de forma eficaz o olhar do observador do primeiro plano (a fonte) até ao ponto mais alto da tela (a igreja).

Esta organização vertical e em socalcos espelha a própria topografia das aldeias de montanha da região de Chaves, conferindo monumentalidade ao edifício religioso sem retirar o protagonismo à fonte em primeiro plano.

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Cor, Luz e Técnica

O pintor utiliza uma paleta cromática naturalista, onde predominam os tons quentes, ocres e acinzentados da pedra granítica, conferindo uma sensação de solidez e perenidade às construções.

Este bloco telúrico e pesado de pedra é harmoniosamente equilibrado pela leveza e vivacidade do céu azul e pelas pinceladas texturizadas das nuvens.

A luz solar incide diretamente sobre as superfícies viradas a leste/sul, criando contrastes de sombra marcados (como no interior do arco da fonte e nas reentrâncias dos muros), o que acentua a volumetria e o realismo da cena.

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Texto: ©MárioSilva

Pintura: Alfredo Cabeleira

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