sábado, 16 de agosto de 2025

"O regato desliza pela serra" - Mário Silva (IA)

"O regato desliza pela serra"


Mário Silva (IA)


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A pintura digital "O regato desliza pela serra" de Mário Silva retrata uma paisagem montanhosa e verdejante.


A composição é dominada por um regato de águas claras que serpenteia por entre rochas e vegetação luxuriante em primeiro plano.


O vale é ladeado por encostas escarpadas, com tons de cinzento e azul que se tornam mais suaves à medida que se aproximam do horizonte.


A obra apresenta uma paleta de cores predominantemente frescas, com uma rica variedade de verdes, azuis e cinzentos, e é executada com uma técnica que simula pinceladas soltas e texturizadas.


Um pequeno edifício, que parece ser uma habitação ou uma capela, pode ser avistado no topo de uma falésia na encosta direita.


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Estória com Base na Pintura: "O regato desliza pela serra"


Afonso conhecia cada pedra, cada curva e cada murmúrio daquele regato que deslizava pela serra.


Era o seu nome, o rio da sua infância, o guardião silencioso dos seus segredos.


Na pintura de Mário Silva, ele via a serra com os olhos da memória: o verde vibrante das árvores, o brilho da água a saltar por entre as rochas e a calma serena do vale.


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Em miúdo, Afonso passava os verões inteiros a subir o regato, saltando de pedra em pedra, com a pele bronzeada pelo sol e o coração a bater ao ritmo da água.


A encosta direita, que a pintura mostrava com um pequeno edifício no topo, era a sua grande aventura.


Ali, escondida por entre o pinhal e os arbustos, estava a ermida de São José, um lugar de paz e de silêncio.


A avó, que o esperava em casa com a merenda, costumava dizer que o São José protegia não só a aldeia, mas também todos os rios da serra.


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Afonso crescera e a aldeia ficara para trás.


A vida na cidade era um rio diferente: cinzento, agitado e sem o canto dos pássaros que ele tanto amava.


Mas a imagem da serra, imortalizada na pintura de Mário Silva, nunca o abandonou.


Olhando para a obra, ele sentia a brisa fresca nas mãos, o cheiro a terra húmida e a promessa de que o paraíso podia ser encontrado nas coisas mais simples.


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O regato, que a pintura parecia capturar no seu movimento constante, ensinou-lhe as lições mais importantes da vida.


Ensinou-lhe que, mesmo quando a corrente é forte, é preciso seguir em frente.


Ensinou-lhe que a água, tal como a vida, encontra sempre o seu caminho, por mais obstáculos que encontre.


E ensinou-lhe que, por mais longe que se vá, há sempre um rio que nos liga de volta às nossas origens.


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Afonso sentiu os olhos marejarem.


Não de tristeza, mas de uma profunda gratidão.


Aquele regato, a serra e a pequena capela lá no alto, que Mário Silva tão bem pintara, eram a sua âncora, a sua certeza.


Ele sabia que, um dia, regressaria.


Não para ficar, mas para matar a sede, para tocar de novo as águas frias do regato e para se lembrar que o paraíso não é um lugar distante, mas uma memória viva, guardada no coração.


E que a sua serenidade, tal como a daquele vale, estaria sempre à espera dele.


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Texto & Pintura digital: ©MárioSilva


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